Autor: Liège Santos

  • ​Desenvolvo o conceito de Aparição compreendendo um conjunto de processos experimentais e imagéticos que desafiam perspectivas hegemônicas e reivindicam um campo estético-filosófico contracolonial. Atuando fundamentalmente como uma dinâmica de memória coletiva, a Aparição opera uma metodologia de insubordinação à ordem imposta. É o espaço onde a investigação em arte atua diretamente na reconstrução do simbólico, atualizando presenças e dando repertório a discursos historicamente violados.

    leia o artigo na íntegra

    • "folia' - políptico - aparição como metodo de pesquisa em arte - fotografia digital

    O Corpo é, ele mesmo, uma palavra antiga, repetida: arquivo de reminiscências interditadas que, embora clandestinas, reaparecem inadvertidamente pelas frestas do tempo, para além do cognoscível, posto que recuperam argumentos que estão dissolvidos na paisagem e na vivência de uma memória coletiva que nos fundamenta.

    O trabalho Teso, articulado no interior do coletivo T.E.S.O. (Territórios Emergentes de Significações Outras), é um experimento de interrupção: ao permitir que “outros bichos”, incategorizáveis, habitem a cena, ele se firma como um exercício permanente de reorganizar os limites do dizível.

    Proponho, portanto, Aparição como uma tecnologia do signo — um contrafeitiço à praguejância sobre os corpos. A Aparição não representa; ela presenta uma força que insiste em permanecer. É o corpo que atravessa e desorganiza a ordem imposta, estabelecendo uma zona de acordo entre o que está e o que já se foi, tensionando hegemonias.

    Performanace INcorporação, Rona Neves (2024). Muhcab, Rio de Janeiro

    ​Seja pela via das “memórias subterrâneas” de Michael Pollak ou da política espiralar de Leda Maria Martins, o gesto performativo escava o tempo — une pontas de passado e presente, permitindo devolver ao mundo velhas coisas em novas formas.

    ​Assim, a aparição aparece, dali e daqui, até adquirir corpo; até reaprender seu nome próprio.

    A partir disto, existe, porque apareceu.

    Leia o artigo completo em:

    Políticas do feitiço: aparição como arquivo do sensível – Liège Santos
    Políticas del hechizo: aparición como archivo de lo sensible
    Revista Encanterias – Universidade Federal do Amapá

  • O que dizer diante do permanente genocídio negro cometido pelo Estado brasileiro? Como descrevê-lo? De que maneira expressar a justa revolta pelo rastro de sangue que os projéteis oficiais deixam nas periferias das grandes cidades? De bala em prosa reúne textos de autores e autoras negras. São pessoas diretamente impactadas pela escalada da violência fardada no país. 

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  • O artigo debruça-se sobre Omolu e o repertório de significações que circundam essa divindade, elaborando uma discussão sobre o sentido da transitoriedade da existência. Para tanto, ancora-se na visualidade, utilizando a semiótica greimasiana como método para explorar as camadas simbólicas presentes em representações artísticas que tratam dos eventos de vida e morte em contextos culturais diversos.

    Este estudo analisa as obras “A Morte de Prócris” (1495), de Piero di Cosimo, e “A Morte e seu Par Indecente” (1529), de Hans Sebald Beham, ambas produzidas no contexto da cultura renascentista europeia, contrastando-as com “Sonponnoi” de Rotimi Fani-Kayode (1987)e “Flor de Chagas” de Ayrson Heráclito (2013), obras contemporâneas que, partindo de um giro decolonial, restauram a percepção africana sobre a impermanência da vida.

    Liège Santos e Jonathan Barbosa

    Capa: Lui Trindade

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